empty
 
 
Os contratos futuros de petróleo indicam calma e estabilidade, enquanto o petróleo físico é negociado com um prêmio extremamente elevado.

Os contratos futuros de petróleo indicam calma e estabilidade, enquanto o petróleo físico é negociado com um prêmio extremamente elevado.

Na sexta semana do conflito militar no Irã, o mercado global de petróleo foi atingido por um choque significativo de oferta. O bloqueio do Estreito de Ormuz deixou centenas de petroleiros retidos no Golfo Pérsico, provocando uma forte alta nos preços globais do petróleo. Ainda assim, os contratos futuros projetam uma imagem distorcida e excessivamente otimista, mascarando a real dimensão da escassez da commodity.

Observa-se agora uma divergência sem precedentes entre os preços do mercado físico (barris reais para entrega imediata) e o chamado mercado “de papel” (derivativos financeiros e contratos futuros).

As refinarias estão a ser obrigadas a adquirir petróleo físico com um prémio histórico de cerca de US$ 30 por barril acima do contrato futuro mais próximo — um spread que raramente ultrapassa US$ 2 em condições macroeconómicas normais.

Esse padrão de preços atípico sugere que os traders estão relutantes em apostar, no longo prazo, na sustentação de preços extremamente elevados. Os participantes do mercado esperam que a escassez aguda seja temporária e que o conflito venha a ser congelado por um acordo político. A diferença de preços também é influenciada por um fator temporal: os futuros do Brent negociam com cerca de dois meses de antecedência (sendo o contrato mais próximo o de junho), enquanto os preços físicos refletem o custo das entregas imediatas.

Segundo analistas da Energy Aspects Ltd, o otimismo nos mercados é sustentado pela expectativa de uma intervenção iminente dos Estados Unidos. Os investidores acreditam que o presidente Donald Trump encontrará uma forma de encerrar o conflito, de modo a não comprometer a sua posição política perante a disparada dos preços da gasolina às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

As consequências económicas do conflito já começam a ser sentidas pelos consumidores. Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou a marca psicológica de US$ 4 por galão, atingindo máximos sazonais. O encarecimento dos combustíveis desencadeou uma nova onda de inflação global: o aumento dos preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação já se reflete em tarifas aéreas mais elevadas, custos logísticos mais altos e aumento dos preços dos alimentos. Pesquisas indicam que a maioria dos eleitores americanos desaprova as operações militares contra o Irã e demonstra preocupação com os impactos económicos de uma eventual nova escalada do conflito.

Back

See aslo

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.