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Parlamento Europeu aprovou a criação de um euro digital que funcione tanto online quanto offline

Parlamento Europeu aprovou a criação de um euro digital que funcione tanto online quanto offline

Em 10 de fevereiro, o Parlamento Europeu aprovou a emissão de um euro digital com funcionamento tanto online quanto offline, alinhando-se à abordagem do Banco Central Europeu (BCE) e aumentando as chances de consolidar esse modelo antes das discussões decisivas no comitê ECON. Em comunicado, o Parlamento destacou que o euro digital é “essencial para reforçar a soberania monetária da UE, reduzir a fragmentação dos pagamentos no varejo e sustentar a integridade e a resiliência do mercado único”. A instituição também alertou que deixar a digitalização dos pagamentos exclusivamente nas mãos de “atores privados e não europeus” pode gerar novas formas de exclusão para usuários e comerciantes.

A decisão reverte uma proposta anterior apresentada por Fernando Navarrete em outubro de 2025, que previa apenas uma versão offline da moeda digital, com acesso online permitido somente na ausência de uma solução privada. Representantes do BCE, liderados por Piero Cipollone, defendem que os dois formatos são complementares e aproximam o euro digital do dinheiro em espécie. Caso os governos nacionais e o Parlamento Europeu aprovem a legislação necessária até 2027, o BCE poderá lançar um programa piloto, com implementação plena prevista para 2029.

A iniciativa avança em meio a preocupações crescentes com a dependência europeia de sistemas de pagamento norte-americanos. No início de fevereiro, a CEO da European Payments Initiative (EPI), Martina Weimert, defendeu ações urgentes para reduzir a dependência de Visa e Mastercard, que respondem por cerca de dois terços das transações na zona do euro. Treze países da UE sequer dispõem de alternativas nacionais aos esquemas internacionais de cartões. O consórcio EPI, que inclui instituições como BNP Paribas e Deutsche Bank, lançou o serviço de pagamentos Wero, que já atraiu dezenas de milhões de usuários e deve expandir-se para o mercado online até 2027.

O setor bancário acompanha o projeto do euro digital com cautela, temendo que uma moeda digital apoiada pelo Estado duplique funções de soluções privadas como o Wero e reduza os incentivos à inovação no setor de pagamentos. Ainda assim, o BCE vê o euro digital como uma resposta estrutural a riscos geopolíticos e à possível pressão de Washington decorrente do domínio de operadores de pagamento americanos.

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