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21.05.2026 03:42 PMOs dados preliminares do PMI de maio da Zona do Euro e do Reino Unido serão divulgados hoje na primeira metade do dia, e o mercado acompanhará esses números de perto.
Para a zona do euro, a previsão consensual para o PMI Industrial aponta que o índice deverá permanecer próximo do nível de abril, em 52,2, com uma ligeira desaceleração para a faixa de 51,5–52,0. Convém notar que, em abril, o setor manufatureiro apresentou os melhores resultados em quase quatro anos; no entanto, grande parte desse crescimento foi impulsionada por compras preventivas diante das preocupações com as cadeias de abastecimento e com a guerra — e não por um aumento efetivo da procura. Esse efeito poderá enfraquecer em maio.
A situação no setor de serviços parece bem mais fraca: em março, o PMI de serviços da zona do euro caiu para 50,2 — o nível mais baixo desde maio do ano passado — e o PMI composto de abril recuou para 48,8, mínima de 17 meses, sinalizando contração da atividade. A previsão para maio situa-se em torno de 49,5–50,0, o que significa que o mercado continua na fronteira entre crescimento e contração. Se os dados vierem abaixo de 50, o euro enfrentará pressão adicional: a fraqueza do setor de serviços, combinada com as pressões inflacionárias, cria a armadilha da estagflação sobre a qual Nagel e Wunsch alertaram recentemente nos seus discursos. Por outro lado, se o PMI surpreender positivamente e permanecer acima de 50, o euro poderá receber suporte de curto prazo — o mercado interpretará isso como um sinal de que a economia está a lidar com o choque energético melhor do que o esperado.
Para o Reino Unido, o quadro de abril pareceu significativamente mais forte. O PMI industrial saltou para 53,7 — o nível mais elevado desde maio de 2022 — enquanto o PMI de serviços subiu para 52,7, superando amplamente as expectativas do mercado, que apontavam para 50,0. As projeções para maio, contudo, são mais cautelosas: a expectativa é que o PMI industrial fique entre 52,0 e 52,5, e o PMI de serviços entre 51,5 e 52,0.
Vale destacar que o crescimento de abril também foi parcialmente explicado pelo efeito das compras preventivas, e a resiliência dos números de maio será um verdadeiro teste para a economia britânica. Se os dados se mantiverem acima dos níveis de abril ou pelo menos próximos deles, a libra terá um argumento forte para se valorizar — especialmente à luz dos recentes dados de inflação, que inesperadamente desaceleraram para 2,8%. A combinação de inflação moderada e PMIs fortes poderá sustentar a postura do Banco de Inglaterra favorável a menos aumentos de juros, o que, paradoxalmente, pode enfraquecer a libra. Se o PMI decepcionar, particularmente no setor de serviços, a pressão sobre a moeda britânica aumentará em ambas as frentes.
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*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.
