empty
 
 
11.02.2026 03:08 PM
Dólar americano em alerta

Os mercados permanecem em estado de alerta, à espera da divulgação dos principais dados de emprego dos EUA referentes a janeiro. O Federal Reserve tem sinalizado que o mercado de trabalho passou a ter prioridade sobre a inflação e aposta numa continuação do processo de desinflação. Nesse contexto, um relatório fraco de Nonfarm Payrolls poderia conceder aos touros do EUR/USD uma vantagem decisiva, potencialmente difícil de ser revertida pelos vendedores.

No mercado de derivativos, já se precifica cerca de 30% de probabilidade de três cortes de juros pelo Fed em 2026, com dois cortes incorporados até setembro — um movimento significativamente mais dovish do que há apenas uma semana, quando os futuros indicavam um afrouxamento de cerca de 50 pontos-base na taxa dos fundos federais. Essa mudança nas probabilidades reflete uma sequência de dados econômicos decepcionantes nos Estados Unidos, que vem reforçando as apostas em uma política monetária mais flexível.

Dinâmica das vendas no varejo dos EUA

This image is no longer relevant

Tudo começou com uma série de sinais fracos do mercado de trabalho, captados por indicadores alternativos, seguida por uma surpresa negativa nas vendas no varejo. Em dezembro, as vendas permaneceram estagnadas, enquanto o consenso da Bloomberg projetava um crescimento mensal de 0,4%.

PIB do Fed de Atlanta

Em reação imediata, o modelo GDPNow do Federal Reserve Bank of Atlanta reduziu sua estimativa de crescimento do PIB do quarto trimestre de 4,2% para 3,7%. Os rendimentos dos Treasuries recuaram — e o dólar acompanhou o movimento.

Até aqui, a resiliência da economia, a estabilização do mercado de trabalho e o processo de desinflação permitiram ao banco central manter-se confortável com a taxa de juros em 3,75%. No entanto, esse cenário pode mudar. Uma desaceleração mais pronunciada do PIB, combinada com um novo arrefecimento do emprego, pode levar o banco central a acelerar o ritmo de afrouxamento monetário. O fato de os derivativos passarem a precificar entre dois e três cortes de juros reforça um cenário altista para o EUR/USD.

Em contraste, o Banco Central Europeu não sinaliza intenção de cortar juros no curto prazo. Membros do Conselho do BCE destacam que a queda da inflação da zona do euro para 1,7% em janeiro é temporária. Embora o crescimento dos preços ao consumidor possa continuar desacelerando no curto prazo, as autoridades esperam que a inflação retorne gradualmente à meta de 2%.

Dinâmica dos salários da zona do euro

This image is no longer relevant

Um dos principais motivos são as previsões relativamente otimistas para os salários na Europa. O BCE projeta que os salários possam subir 2,6% no terceiro trimestre e 2,7% no quarto trimestre. Essas estimativas estão bem abaixo dos mais de 5% observados em 2024, mas o contexto mudou: esse nível de crescimento salarial já seria suficiente para impulsionar a inflação de volta em direção à meta.

This image is no longer relevant

Portanto, na ausência de choques políticos ou geopolíticos relevantes, os investidores voltam a um jogo já conhecido: apostar na magnitude do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve. Mais cortes implicam um dólar mais fraco; menos cortes, um dólar mais forte. Nesse contexto, o relatório de emprego dos EUA deve ser decisivo para dirimir essa incerteza.

Do ponto de vista técnico, no gráfico diário, os compradores do EUR/USD tentam retomar a iniciativa após o recuo observado ontem. Um rompimento acima de 1,1930 abriria espaço para reforçar posições compradas iniciadas em 1,1835. Caso o par não consiga se sustentar acima desse nível, o movimento passaria a gerar um sinal de venda.

Marek Petkovich,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

Recommended Stories

Não pode falar agora?
Faça sua pergunta no chat.