Decisão da Suprema Corte fortalece a posição negociadora da China antes da cúpula
O equilíbrio geopolítico passou a favorecer Pequim antes da cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, marcada para 31 de março. Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos praticamente anulou as tarifas do segundo mandato que chegavam a 145% sobre alguns produtos, deixando a China sujeita a uma alíquota padrão de 15% por 150 dias.
Sem esse instrumento de pressão econômica, fica mais difícil para Trump obter compromissos de Pequim para ampliar as compras de soja americana e aeronaves da Boeing. Em contrapartida, a China pretende pressionar por maior acesso a semicondutores avançados, após o governo dos EUA autorizar a venda de chips H200 da NVIDIA a empresas chinesas. A liderança chinesa na produção de elementos de terras raras representa outro trunfo relevante: caso Washington endureça os controles de exportação, Pequim poderá restringir o fornecimento de insumos essenciais para a indústria de alta tecnologia dos EUA.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca trabalha em um novo plano para restabelecer tarifas mais elevadas por meio da Seção 301, movimento que já desencadeou uma onda de embarques antecipados da China para o mercado americano. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, prepara-se para se reunir com autoridades chinesas. O foco das negociações deixou de ser a simples prevenção de uma guerra comercial e passou a concentrar-se no desenho de uma nova arquitetura de investimentos.