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15.05.2026 03:35 PM
O ouro despenca em meio a riscos crescentes de inflação

O ouro caiu hoje para cerca de US$ 4.560 devido aos riscos de inflação e ao conflito geopolítico no Oriente Médio.

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Muito provavelmente, até o final da semana o ouro terá recuado mais de 2%. Os dados de inflação de abril dos EUA vieram piores do que o esperado: o índice de preços ao produtor acelerou para o nível mais alto desde 2022, enquanto os preços ao consumidor registraram o maior avanço desde 2023.

Os mercados reagiram de forma previsível: o dólar se fortaleceu e o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos disparou, pressionando o ouro em duas frentes — por ser um ativo que não rende juros e por ser cotado em dólar.

O Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado, as negociações para um acordo com o Irã seguem estagnadas, e o WTI é negociado próximo de US$ 102 por barril. A crise energética se prolonga, e a inflação continua elevada, limitando a margem de manobra do Federal Reserve.

Tudo indica que as expectativas inflacionárias, a alta dos rendimentos e o fortalecimento do dólar continuarão exercendo pressão de curto prazo sobre o ouro. Desde o início da guerra, o metal já recuou mais de 12% e vem sendo negociado dentro de uma faixa lateral relativamente estreita. Os investidores encontram-se divididos entre dois cenários: os riscos inflacionários apontam para futuras altas de juros, o que pressiona o metal, enquanto as preocupações com uma desaceleração econômica sugerem políticas de afrouxamento monetário que poderiam beneficiar o ouro.

No entanto, ainda é cedo para descartar completamente o metal precioso. Os fundos de hedge podem começar a ampliar posições compradas nos próximos dias — especialmente diante da forte queda dos preços. A China, inclusive, vem fazendo exatamente isso, aumentando suas compras de ouro durante as correções.

A prata, nesse contexto, apresenta desempenho consideravelmente melhor: em maio, o metal avançou cerca de 11%, impulsionado por uma nova onda de interesse especulativo em metais industriais. A relação ouro/prata diminuiu, sinalizando uma valorização relativa da prata.

Vale lembrar que um fator adicional negativo para o mercado nesta semana foi a Índia, que endureceu ainda mais as regras para importação de ouro como parte dos esforços para proteger a rúpia. A medida veio poucos dias após o aumento das tarifas de importação e afetou a demanda no segundo maior mercado de metais preciosos do mundo.

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Em relação ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam recuperar a resistência mais próxima em US$ 4.607. Isso abriria espaço para buscar a região de US$ 4.656, acima da qual o rompimento tende a ser mais difícil. O alvo mais distante para os touros está em US$ 4.708.

Se o metal precioso cair os vendedores tentarão assumir o controle na região de US$ 4.546. Se conseguirem romper esse suporte, isso representará um golpe significativo para as posições compradas, podendo levar o ouro até a mínima de US$ 4.481, com possibilidade de extensão da queda até US$ 4.432.

Miroslaw Bawulski,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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