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Segundo os dados divulgados, o PIB do Japão cresceu 0,1% no quarto trimestre do ano passado em base trimestral. Por um lado, o resultado foi uma surpresa negativa, já que a maioria dos analistas esperava uma alta mais robusta, de 0,4%. Por outro, a economia retornou ao crescimento após a contração de 0,7% registrada no trimestre anterior. Em termos anuais, o PIB avançou 0,2%, depois de uma queda de 2,6% no terceiro trimestre.
A composição do relatório mostra que o consumo das famílias, responsável por mais da metade da economia japonesa (até 60%), aumentou 0,1% no quarto trimestre. Embora esse resultado represente uma desaceleração em relação ao avanço de 0,4% observado no trimestre anterior, o aspecto mais relevante é o sinal positivo em si, já que o fortalecimento do consumo doméstico ajuda a sustentar a demanda interna e reduz a dependência do setor externo.
Outros componentes do relatório também apresentaram crescimento fraco, porém positivo. O consumo do governo subiu 0,1% (mesma taxa do terceiro trimestre), enquanto o investimento empresarial em capital (capex) avançou 0,2%, após recuar 0,3% no trimestre anterior.
O deflator do PIB aumentou 3,4% em termos anuais, repetindo a taxa do trimestre anterior, enquanto a maioria dos analistas projetava desaceleração para 3,2%. Isso indica que os preços não estão acelerando, mas permanecem persistentemente elevados.
Já os números do comércio externo foram claramente decepcionantes, sem atenuantes. Pelo segundo trimestre consecutivo, observou-se dinâmica negativa: as importações caíram 0,3% (após recuo de 0,1% no trimestre anterior) e as exportações recuaram 0,3%, depois de uma queda ainda mais acentuada de 1,4%.
Ainda assim, apesar da fraqueza nos principais indicadores, o Japão evitou tecnicamente uma recessão após a contração do trimestre anterior. O tom mais negativo dos dados de manchete pressionou o iene, mas seria prematuro declarar uma reversão de tendência no USD/JPY neste momento.
A principal âncora para o par continua sendo a divergência de expectativas entre a política monetária do Banco do Japão e a da Reserva Federal. Muitos participantes do mercado ainda esperam que o regulador japonês eleve as taxas em abril, após a divulgação dos resultados das negociações salariais do shunto (as negociações anuais entre sindicatos e empregadores).
Enquanto isso, dados do CME FedWatch mostram que os traders precificam cerca de 70% de probabilidade de que o Federal Reserve corte as taxas no início do verão, na reunião de junho, possivelmente o primeiro corte sob Kevin Warsh, e muitos participantes acreditam que esse movimento não será o único em 2026.
Vale lembrar que os dados do CPI divulgados na sexta-feira confirmaram a desaceleração da inflação nos Estados Unidos. O índice cheio caiu para 2,4%, o nível mais baixo desde abril do ano passado, ante 2,7% nos dois meses anteriores. O CPI núcleo, que exclui alimentos e energia, recuou para 2,5%, a menor leitura desde março de 2021.
Em outras palavras, em janeiro o CPI aproximou-se da meta de 2,0% do Fed, em vez de se afastar rumo a 3,0%. O banco central pode interpretar esse movimento como evidência de que a inflação permanece sob controle, especialmente se o PCE núcleo, o indicador de inflação preferido do Fed, a ser divulgado na sexta-feira, também mostrar desaceleração em relação à projeção atual de 2,8%.
Diante desse contexto, o pano de fundo fundamental não sustenta uma recuperação sustentável do USD/JPY. Posições de vendas só devem ser consideradas caso o par rompa abaixo de 153,10. Nesse cenário, o preço voltaria a negociar entre as bandas média e inferior de Bollinger no gráfico de 4 horas e abaixo de todas as linhas do Ichimoku, configurando um sinal de baixa clássico do tipo "Parade of Lines". O próximo suporte, e alvo potencial do movimento descendente está em 152,50, correspondente à banda inferior de Bollinger no 4H.