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Os últimos dias foram marcados por uma sequência de eventos de grande repercussão, capazes de redefinir o equilíbrio de forças nos mercados financeiros globais.
A decisão dos Estados Unidos de recuar de medidas comerciais mais duras relacionadas à Groenlândia deu suporte ao dólar, enquanto o aumento das tensões geopolíticas impulsionou o ouro e a prata a novas máximas históricas.
Nesse cenário, o setor de tecnologia também voltou aos holofotes. A Apple anunciou uma ampla reformulação de sua assistente de voz, a Siri, com a integração de soluções avançadas de inteligência artificial, o que resultou em uma forte valorização de suas ações.
O mercado de criptomoedas tampouco ficou à margem desse movimento. O investidor institucional BitMine ampliou significativamente sua exposição ao Ethereum, sinalizando uma renovada confiança na tecnologia de staking e apontando para uma transformação estrutural na infraestrutura da blockchain.
Neste artigo, analisamos em detalhe como esses fatores estão impactando moedas, commodities, ações de tecnologia e ativos digitais, além de discutir as oportunidades que emergem tanto para traders de varejo quanto para investidores institucionais.
Dólar se fortalece após Trump recuar de ameaças comerciais ligadas à Groenlândia
Na quinta-feira, o dólar norte-americano manteve trajetória de alta, surpreendendo parte do mercado e atraindo a atenção de traders ao redor do mundo. O movimento foi impulsionado por desdobramentos políticos relevantes envolvendo a disputa em torno da Groenlândia e uma mudança no tom da retórica dos EUA em relação à Europa.
Às 10h53 (GMT), o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas — avançava 0,1%, para 98,33. O ganho deu continuidade à recuperação iniciada na quarta-feira, após o índice ter atingido o menor nível em seis semanas no dia anterior. A rápida mudança de cenário estimulou o interesse por operações táticas e especulativas.
O principal catalisador foi a decisão inesperada do presidente Donald Trump de abandonar as ameaças de impor tarifas comerciais a vários aliados europeus. Essas medidas vinham sendo ventiladas como instrumento de pressão no contexto do interesse dos EUA na aquisição da Groenlândia.
Trump também afastou explicitamente a possibilidade de uso de força militar para resolver a questão, afirmando que uma solução diplomática seria suficiente. Como resultado, os temores de uma escalada geopolítica diminuíram, favorecendo o dólar e reacendendo o apetite por ativos denominados na moeda americana.
Analistas do ING destacaram em relatório:
"O dólar reagiu com uma alta de alívio nos ativos de risco depois que um acordo-quadro sobre a Groenlândia levou Trump a desistir de novas tarifas contra a União Europeia."
Apesar do alívio recente, especialistas alertam que o mercado ainda carece de maior clareza sobre o desfecho das negociações. Nesse sentido, a próxima reunião do Federal Reserve, marcada para 28 de janeiro, pode deslocar o foco dos investidores das manchetes políticas de volta para os fundamentos macroeconômicos.
Além dos desdobramentos geopolíticos, os traders acompanham de perto os pedidos semanais de auxílio-desemprego e a revisão dos dados do PIB dos EUA do terceiro trimestre. Segundo analistas, o núcleo do índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de novembro — métrica de inflação preferida do Fed — tende a se tornar um referencial crucial para calibrar expectativas sobre a trajetória futura da política monetária.
A Rússia entrou de forma inesperada no debate sobre a Groenlândia. Em discurso durante uma reunião do Conselho de Segurança, o presidente Vladimir Putin avaliou publicamente o território ártico em cerca de US$ 1 bilhão. O cálculo foi feito com base em referências históricas, como a compra do Alasca pelos Estados Unidos por US$ 7,2 milhões no século XIX, com o valor ajustado aos preços atuais do ouro.
Putin afirmou que Moscou não está preocupada com o status da Groenlândia e instou Estados Unidos e Dinamarca a resolverem a questão de maneira bilateral.
O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, reforçou a posição ao declarar que a Groenlândia não é uma "parte natural" da Dinamarca, classificando seu status atual como um legado do período colonial.
Paralelamente, surgiram informações de que os EUA buscam revisar um acordo de defesa com a Dinamarca, em vigor há cerca de setenta anos, com o objetivo de obter acesso militar irrestrito à Groenlândia. Fontes familiarizadas com as negociações afirmam que Washington pretende remover cláusulas que exigem consultas prévias tanto com Copenhague quanto com o governo local — disposições que, segundo autoridades americanas, limitam a flexibilidade operacional na região.
Aspectos econômicos de um possível acordo também entraram na pauta. O presidente Donald Trump anunciou o envolvimento da OTAN e dos EUA na alocação de direitos para o desenvolvimento de depósitos de minerais de terras raras, com o objetivo declarado de impedir que países não aliados — em especial a China — tenham acesso a esses recursos estratégicos.
Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou a preservação da soberania como uma "linha vermelha". Já a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o país está aberto ao diálogo, mas deixou claro que não abrirá mão do controle do território.
Principais conclusões e oportunidades para traders
Mudanças relevantes no cenário geopolítico e na retórica de líderes globais atuaram como catalisadores de movimentos importantes nos mercados cambiais. O recuo dos EUA em relação a tarifas mais severas contra a Europa e o sinal de busca por uma solução pacífica para a questão da Groenlândia permitiram que o dólar se recuperasse rapidamente de perdas anteriores.
Ao mesmo tempo, a atenção dos investidores começa a se deslocar dos riscos políticos imediatos para os próximos dados macroeconômicos dos EUA e para as expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve.
Nesse contexto, traders devem acompanhar de perto a dinâmica do dólar e de seus principais pares, utilizando a volatilidade para identificar pontos mais eficientes de entrada e saída. Estratégias possíveis incluem operações especulativas de curto prazo, bem como estruturas de proteção (hedge), enquanto o mercado aguarda novos indicadores econômicos norte-americanos.
Ouro e prata disparam para novos recordes em meio a choques geopolíticos
Na sexta-feira, o mercado de metais preciosos voltou ao centro das atenções. O ouro se aproximou da marca psicológica de US$ 5.000 por onça, estabelecendo um novo recorde histórico. A forte valorização foi impulsionada pelo aumento das tensões geopolíticas, por declarações mais agressivas do presidente Donald Trump e pela persistente fraqueza do dólar.
O metal precioso atingiu US$ 4.967,48 por onça, acumulando alta de quase 15% desde o início de 2026 e cerca de 64% nos últimos doze meses. O movimento mais recente ocorreu após Trump anunciar que um grande grupo naval dos EUA estaria se deslocando em direção à costa do Irã, reacendendo preocupações em torno da estabilidade no Oriente Médio.
Declarações feitas pelo presidente a bordo do Air Force One, durante o retorno do Fórum Econômico Mundial em Davos, foram suficientes para reativar rapidamente a demanda por ativos de proteção.
Janeiro foi marcado por uma sucessão de eventos políticos de grande impacto, incluindo uma incursão dos EUA na Venezuela, ameaças de anexação da Groenlândia e advertências ao Irã em meio a protestos internos. Embora os mercados tenham se acalmado temporariamente após o recuo de Trump nas ameaças tarifárias relacionadas à Groenlândia, novas manchetes vindas de Washington voltaram a pressionar o sentimento e impulsionaram novamente a busca por ouro.
A fraqueza do dólar forneceu combustível adicional ao rali. Ao longo da semana, o índice Bloomberg Dollar Spot recuou cerca de 0,8%, tornando os metais preciosos mais atrativos para compradores internacionais. Segundo Ahmad Assiri, estrategista do Pepperstone Group, a oferta não tem conseguido acompanhar o aumento da demanda em um ambiente de elevada incerteza política, o que explica os picos de preços e a volatilidade observada recentemente..
O rali também alcançou a prata: os preços subiram 3%, para US$ 99,03 por onça — um nível recorde, ficando a poucos centavos da marca-chave de US$ 100. A prata acumula uma valorização impressionante de 39% no ano, superando o desempenho do ouro. A platina também atingiu máximas históricas, chegando a US$ 2.692,31 por onça.
As preocupações com a independência do Federal Reserve aumentaram a incerteza. Na quarta-feira, a Suprema Corte dos EUA questionou as tentativas do governo Trump de destituir a governadora do Fed, Lisa Cook. O juiz Brett Kavanaugh alertou que esse tipo de ação poderia enfraquecer de forma significativa — ou até destruir — a independência do banco central.
Analistas dos principais bancos globais reagiram rapidamente. O Goldman Sachs elevou sua projeção para o ouro no fim do ano para US$ 5.400 por onça (ante US$ 4.900), citando o crescente interesse do varejo e as compras ativas por bancos centrais que buscam diversificação em meio à instabilidade.
A volatilidade elevada persiste, e os metais preciosos tornaram-se o principal instrumento de proteção de capital. A alta dos preços do ouro, da prata e da platina reflete a busca dos investidores por ativos confiáveis em períodos de incerteza.
Esses movimentos também abrem oportunidades de negociação: traders podem operar tanto a continuidade da tendência quanto eventuais correções nos metais, abrir posições compradas e vendidas, proteger carteiras ou explorar arbitragens entre diferentes instrumentos.
Apple desafia gigantes da IA: ações disparam após anúncio de um novo chatbot da Siri.
Na quarta-feira, as ações da Apple subiram com confiança, saltando 1,6% após uma reportagem bombástica da Bloomberg. A iniciativa mais ambiciosa da empresa em anos foi revelada: a Apple está se preparando para atualizar a Siri para um chatbot de IA completo, entrando na corrida da IA generativa dominada por players como OpenAI e Google.
O anúncio coincidiu com uma grande campanha de vendas: a Apple revelou descontos temporários na China antes do Ano Novo Lunar. Isso sustentou as ações e indicou a intenção da empresa de reforçar sua posição em um dos mercados mais competitivos do mundo, antes dos resultados fiscais do primeiro trimestre, previstos para 29 de janeiro.
Mark Gurman, da Bloomberg, relata que o projeto interno de chatbot com IA da Apple tem o nome de código "Campos". Os desenvolvedores planejam integrá-lo profundamente aos sistemas operacionais do iPhone, iPad e Mac, substituindo a interface familiar da Siri. Os usuários poderão acionar o serviço aprimorado por meio de comando de voz ou do botão lateral do dispositivo — os mesmos pontos de acesso, mas com recursos totalmente novos.
Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management, confirmou o roteiro da IA no X, observando dois grandes catalisadores para a Apple nos próximos oito meses:
A Apple divulgou que seu novo chatbot será executado em uma versão avançada e personalizada do modelo Gemini do Google. A parceria com o Google foi anunciada oficialmente em 12 de janeiro. Com o tempo, as tecnologias líderes do Google sustentarão a Apple Intelligence, permitindo uma Siri mais personalizada e "mais inteligente" este ano.
Além da IA, a Apple está cortejando agressivamente os consumidores chineses. A empresa lançou descontos temporários de até 1.000 yuans (cerca de US$ 143) de 24 a 27 de janeiro em uma variedade de dispositivos — iPhone 16, iPhone 16 Plus e modelos selecionados de MacBook, iPad, Apple Watch e AirPods. O mais recente iPhone 17 não foi incluído na promoção. Uma promoção semelhante com descontos de até 800 yuans ocorreu menos de um mês antes. Ivan Lam, analista sênior da Counterpoint, explicou: "Os cortes de preços da Apple são uma jogada estratégica para capitalizar a temporada de festas e defender a participação no mercado".
Com os avanços no desenvolvimento da IA e o marketing inteligente na China, a Apple está criando novas oportunidades de crescimento. Essas notícias normalmente estimulam o interesse comercial nas ações. Os operadores podem considerar tanto investimentos de longo prazo quanto negociações ativas em torno do fluxo de notícias e relatórios corporativos.
Os investidores devem observar que as ofertas de IA de ponta e os preços agressivos na China podem sustentar uma tendência positiva sustentada para as ações da Apple e afetar outras gigantes da tecnologia que competem na corrida pela IA.
BitMine aumenta suas apostas na Ethereum: gigante institucional acelera staking em meio a marcos históricos da rede
Na quinta-feira, a BitMine Immersion Technologies, uma das maiores empresas de capital aberto com atuação no ecossistema Ethereum e liderada por Tom Lee, anunciou um novo e expressivo investimento em ETH. A companhia adicionou 171.264 ETH às suas reservas, avaliados em aproximadamente US$ 503 milhões.
Segundo dados on-chain monitorados pela plataforma de análises Lookonchain, a operação elevou o total de ETH em staking da BitMine para um recorde de 1,9 milhão de ETH, o equivalente a cerca de US$ 5,7 bilhões.
O movimento ocorre em um momento histórico para a rede Ethereum: pela primeira vez, mais de 30% de todo o fornecimento de ETH está em staking. Atualmente, mais de 36 milhões de ETH estão bloqueados em contratos de validação, reforçando a segurança da rede e evidenciando a confiança no modelo de proof-of-stake. Estimativas indicam que a BitMine controla agora mais de 4 milhões de ETH, cerca de 3,5% do fornecimento total em circulação, com a ambição declarada de elevar essa participação para 5%.
Em comunicado aos acionistas em janeiro de 2026, Tom Lee afirmou: "A empresa espera gerar mais de US$ 400 milhões em receita anual apenas com o staking de ETH a partir de suas reservas internas."
Com uma capitalização de mercado superior a US$ 13 bilhões, a BitMine consolida sua posição como a maior detentora institucional de Ethereum entre empresas listadas em bolsa. No início deste mês, Lee destacou: qie a BitMine colocou em staking mais ETH do que qualquer outra organização no mundo.
Em escala agregada, as recompensas anuais de staking são estimadas em cerca de US$ 374 milhões, com um rendimento médio aproximado de 2,8%, reforçando o papel do Ethereum como um ativo gerador de fluxo de caixa dentro do universo cripto.
Curiosamente, desde que Tom Lee foi nomeado presidente do conselho em junho de 2025, a BitMine abandonou o modelo clássico de mineração e passou a adotar uma estratégia de tesouraria centrada em ativos de Ethereum. Paralelamente, a empresa está desenvolvendo uma plataforma própria de rede de validadores, a Made in America Validator Network (MAVAN), cujo lançamento está previsto para o início de 2026.
Essa acumulação ativa por meio de staking ocorre apesar de uma desaceleração mais ampla no mercado de criptomoedas. O preço do Ethereum chegou a cair abaixo de US$ 3.000, embora tenha se recuperado para cerca de US$ 3.350 em janeiro, permanecendo ainda aproximadamente 40% abaixo de sua máxima histórica, de US$ 4.946, registrada em agosto de 2025. As próprias ações da BitMine também refletiram a pressão do mercado, sendo negociadas em torno de US$ 28–29, após recuarem de níveis acima de US$ 30 no início do mês.
O fato de mais de 30% do fornecimento total de ETH estar em staking é amplamente interpretado por analistas como um forte sinal de confiança institucional no futuro da rede.
"Alcançamos oficialmente um marco histórico. O Ethereum não é mais apenas um ativo volátil; está se tornando a infraestrutura digital mais segura do mundo", afirmou a Altcoin Vector em relatório recente.
A expansão do staking pela BitMine coincide com uma mudança estrutural no mercado cripto: comunidades e investidores institucionais vêm demonstrando uma visão cada vez mais orientada ao longo prazo em relação ao Ethereum como infraestrutura base da economia digital. Mesmo diante de correções nos preços, o volume de ETH em staking continua a atingir máximas históricas, enquanto o capital institucional segue acumulando posições.
Esse aumento da participação institucional e os marcos alcançados no staking podem abrir novos pontos de entrada para traders. Investidores podem considerar compras diretas de ETH combinadas com staking como estratégia de geração de renda passiva, assim como operações de curto prazo, explorando movimentos de preço em meio à mudança da dinâmica do mercado. Além disso, as ações da BMNR podem atrair aqueles que acreditam na estratégia de longo prazo da empresa e em sua posição de liderança no ecossistema Ethereum.
A negociação de Ethereum, o staking e as ações das principais empresas do setor cripto, incluindo a BitMine, estão disponíveis para clientes da InstaTrade. Para começar, basta abrir uma conta de negociação. Para acompanhar os mercados em tempo real e reagir rapidamente às mudanças, os investidores também podem baixar o aplicativo móvel da InstaTrade, que oferece análises atualizadas e execução instantânea de ordens.